{"id":630,"date":"2022-11-08T16:54:53","date_gmt":"2022-11-08T16:54:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/projects\/example-wordpress\/2022\/11\/08\/criamos-uma-geracao-de-viciados-em-reconhecimento\/"},"modified":"2024-04-03T02:07:18","modified_gmt":"2024-04-03T05:07:18","slug":"criamos-uma-geracao-de-viciados-em-reconhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/how2pay.com.br\/smrtcomp\/2022\/11\/08\/criamos-uma-geracao-de-viciados-em-reconhecimento\/","title":{"rendered":"Criamos uma gera\u00e7\u00e3o de viciados em reconhecimento?"},"content":{"rendered":"<p>A gera\u00e7\u00e3o que se insere no mercado de trabalho busca por reconhecimento imediato<\/p>\n<p>Apesar de trabalhar com n\u00fameros a vida toda, sou formada em psicologia. E na faculdade n\u00f3s faz\u00edamos experimentos com ratinhos no laborat\u00f3rio, condicionando-os a bater numa barra para receber \u00e1gua. No in\u00edcio, o ratinho n\u00e3o sabe o que fazer. Ele, por acaso, toca no dispositivo e percebe que um pouco de \u00e1gua foi liberado. Ele leva um tempo para entender a l\u00f3gica deste processo, mas logo pega o jeito e passa a bater furiosamente na barra sem nem tirar a boca da torneirinha, num malabarismo digno de aplausos.<\/p>\n<p>Eu nunca pensei que iria associar uma aula de laborat\u00f3rio de psicologia com o mundo da remunera\u00e7\u00e3o, mas tenho percebido esse condicionamento cada vez mais presente na nova gera\u00e7\u00e3o de profissionais que passa a integrar o mundo corporativo.<\/p>\n<p>Esta associa\u00e7\u00e3o me veio mais fortemente esta semana, quando estava lendo sobre mais um fen\u00f4meno entre os jovens (al\u00e9m da Great Resignation e do Quiet Quitting), que vem sendo chamado de \u201cjob hopping\u201d. Estamos vivendo uma fase em que as pessoas n\u00e3o permanecem nem 1 ano na empresa e j\u00e1 saem em busca de mais reconhecimento, maiores sal\u00e1rios, atribui\u00e7\u00f5es \u201cmais adequadas ao seu potencial\u201d ou mais qualidade de vida. E a\u00ed descobrem que um novo emprego continua n\u00e3o saciando sua inquietude.<\/p>\n<p>No meio disso tudo, as \u00e1reas de RH se desdobram para criar pol\u00edticas e programas de reconhecimento acelerado que mantenham as pessoas motivadas! Ainda me soa estranho que algu\u00e9m com menos de 1 ano de empresa j\u00e1 se sinta desvalorizada por n\u00e3o ter recebido um aumento salarial ou uma promo\u00e7\u00e3o, s\u00f3 porque fez bem feito seu trabalho. Mas \u00e9 este o cen\u00e1rio em que vivemos, onde a recompensa precisa ser instant\u00e2nea para fazer valer o esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Eu bati na barrinha! Ent\u00e3o onde est\u00e1 minha \u00e1gua?!<\/p>\n<p>Este contexto tamb\u00e9m me lembrou das competi\u00e7\u00f5es de esporte infantis, quando no final todos os participantes recebem medalhas.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns! Voc\u00ea participou! Aqui est\u00e1 sua medalha!<\/p>\n<p>Deve ser mesmo dif\u00edcil para quem cresceu neste modus operandi cair agora no mundo corporativo, em que n\u00e3o h\u00e1 necessariamente uma premia\u00e7\u00e3o por realizar adequadamente cada tarefa. Dif\u00edcil entender que as empresas n\u00e3o geram mais e mais resultado para premiar todo mundo o tempo todo, s\u00f3 porque atividades pelas quais as pessoas recebem sal\u00e1rio para desempenhar s\u00e3o realizadas com excel\u00eancia. Dif\u00edcil sair do ciclo vicioso do qui pro quo criado desde a inf\u00e2ncia, em que a evita\u00e7\u00e3o da frustra\u00e7\u00e3o e a busca pelo estado constante de felicidade criou adultos imediatistas e impacientes.<\/p>\n<p>Este estado de insatisfa\u00e7\u00e3o se intensifica quando as pessoas olham para a grama do vizinho e enxergam um ambiente em que aportes financeiros de investidores acontecem, promo\u00e7\u00f5es s\u00e3o concedidas e premia\u00e7\u00f5es s\u00e3o pagas mesmo que os resultados n\u00e3o venham e mesmo que os planos n\u00e3o se cumpram. Nesse olhar de espreita por tr\u00e1s da cortina n\u00e3o d\u00e1 para ver quando os cortes acontecem e as promessas n\u00e3o se concretizam\u2026 S\u00f3 se v\u00ea o resultado dos que t\u00eam sucesso!<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o acredito que planos de remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel e premia\u00e7\u00f5es por resultado estejam nesta mesma categoria de \u201ccondicionamento\u201d de ratinhos de laborat\u00f3rio. Para mim, estas s\u00e3o mec\u00e2nicas que ajudam as pessoas a entenderem a rela\u00e7\u00e3o entre suas entregas e a performance efetiva da empresa. Mas se este resultado n\u00e3o vem e as empresas se sentem obrigadas a pagar para n\u00e3o ferirem as expectativas das pessoas, tudo isto perde a raz\u00e3o de ser. Assim como n\u00e3o faz sentido aplicar refor\u00e7os positivos e pagar pr\u00eamios por cada tarefa bem executada.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m: Como fica a remunera\u00e7\u00e3o na era da Gig Economy?<\/p>\n<p>Gera um certo desconforto pensar que o ser humano seria sujeito \u00e0s mesmas rea\u00e7\u00f5es e condicionamentos de ratos de laborat\u00f3rio\u2026 mas talvez tenhamos que come\u00e7ar a recorrer aos pensadores da psicologia comportamental para resolver o dilema dos viciados em reconhecimento.<\/p>\n<p>Fernanda Abilel \u00e9 professora na FGV e s\u00f3cia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estrat\u00e9gias de remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os artigos assinados s\u00e3o de responsabilidade exclusiva dos autores e n\u00e3o refletem, necessariamente, a opini\u00e3o de Forbes Brasil e de seus editores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gera\u00e7\u00e3o que se insere no mercado de trabalho busca por reconhecimento imediato Apesar de trabalhar com n\u00fameros a vida toda, sou formada em psicologia. 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